Uma relação sexual sem proteção ou uma falha do método contraceptivo pode gerar preocupação. Nesses casos, a contracepção de emergência pode reduzir o risco de uma gravidez não planejada quando utilizada dentro do período recomendado. Ela não interrompe uma gestação já estabelecida, não protege contra infecções sexualmente transmissíveis e não substitui um método contraceptivo de uso regular.
Quando a contracepção de emergência pode ser considerada?
A contracepção de emergência pode ser utilizada depois de situações como:
- Relação sexual sem nenhum método contraceptivo.
- Rompimento, saída ou uso incorreto do preservativo.
- Esquecimento ou atraso relevante do anticoncepcional habitual.
- Atraso na aplicação do anticoncepcional injetável.
- Expulsão ou deslocamento de um método contraceptivo.
- Violência sexual sem proteção contraceptiva.
Quais são as opções?
As principais modalidades são a contracepção oral de emergência e o DIU de cobre.
Contracepção oral de emergência
A chamada ‘pílula do dia seguinte’ atua principalmente impedindo ou atrasando a ovulação. Ela não provoca aborto e não consegue interromper uma gravidez que já tenha se iniciado.
Apesar do nome popular, não é necessário esperar até o dia seguinte. O efeito tende a ser melhor quanto mais cedo ela for utilizada após a relação desprotegida.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a contracepção de emergência seja considerada dentro de até cinco dias, dependendo do método disponível. Entretanto, a efetividade das opções orais pode diminuir com o passar do tempo.
Alguns medicamentos e características clínicas podem interferir na escolha ou na efetividade do método. Por isso, quando possível, é adequado buscar orientação médica ou farmacêutica.
DIU de cobre
O DIU de cobre também pode ser usado como contracepção de emergência quando inserido em até cinco dias após a relação desprotegida, desde que não exista contraindicação à sua colocação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, é a opção mais eficaz de contracepção de emergência. Depois de inserido, pode permanecer como método contraceptivo de longa duração.
A colocação exige avaliação e realização do procedimento por profissional habilitado. Gestação confirmada, alterações da cavidade uterina, sangramento sem diagnóstico e sinais de infecção genital estão entre as situações que precisam ser avaliadas antes da inserção.
Contracepção de emergência é abortiva?
Não.
As pílulas de emergência agem principalmente antes da gravidez, atrasando ou impedindo a ovulação. O DIU de cobre atua predominantemente antes da fecundação.
Esses métodos não interrompem uma gravidez estabelecida e não substituem medicamentos ou procedimentos utilizados para interrupção gestacional.
Ela protege nas relações seguintes?
Não necessariamente.
A contracepção oral de emergência é destinada à relação que motivou seu uso. Uma nova relação sem proteção pode representar um novo risco de gravidez.
O momento adequado para começar ou retomar um método hormonal depende do tipo de contracepção de emergência utilizado. Como as orientações podem variar, é importante confirmar a conduta adequada para cada método.
O preservativo deve continuar sendo utilizado, especialmente porque é o único método contraceptivo que também ajuda a reduzir a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis.
Quais efeitos podem acontecer?
Depois da contracepção oral de emergência, algumas pessoas podem apresentar:
- Náusea.
- Dor de cabeça.
- Cansaço.
- Sensibilidade nas mamas.
- Pequeno sangramento fora do período esperado.
- Antecipação ou atraso da próxima menstruação.
Usar mais de uma vez causa infertilidade?
Não há evidência de que a contracepção oral de emergência prejudique a fertilidade futura. A fertilidade retorna sem atraso provocado pelo medicamento.
A Organização Mundial da Saúde também informa que o uso repetido das pílulas de emergência não apresenta riscos conhecidos à saúde para a maioria das pessoas, embora possa aumentar a ocorrência de irregularidades menstruais e outros efeitos adversos.
Ainda assim, a contracepção de emergência é menos adequada como estratégia habitual do que métodos planejados para uso contínuo. Quando ela passa a ser necessária com frequência, uma consulta pode ajudar a identificar uma opção mais eficaz e compatível com as preferências, a rotina e as condições de saúde da paciente.
Quando fazer um teste de gravidez?
Pode ser indicado realizar um teste se:
- A menstruação atrasar além do esperado.
- Não ocorrer sangramento menstrual em aproximadamente três semanas.
- Surgirem sintomas que levantem suspeita de gravidez.
- Houver uma nova relação sem proteção depois do uso da contracepção de emergência.
Quando procurar atendimento rapidamente?
É importante buscar avaliação urgente diante de:
- Dor abdominal ou pélvica intensa.
- Desmaio, tontura importante ou fraqueza acentuada.
- Sangramento volumoso.
- Teste de gravidez positivo acompanhado de dor ou sangramento.
- Suspeita ou confirmação de violência sexual.
O que fazer depois?
A necessidade de contracepção de emergência pode ser uma oportunidade para rever o método habitual sem julgamentos.
A escolha deve considerar segurança, efetividade, praticidade, desejo reprodutivo, padrão menstrual e preferências pessoais. DIU, implante, pílula, injetável e preservativo possuem características diferentes, e não existe um único método ideal para todas as pessoas.
Uma conversa individualizada ajuda a definir uma estratégia contraceptiva mais segura para as relações seguintes.
Em resumo
- A contracepção de emergência pode ser considerada após relação desprotegida ou falha do método.
- Quanto mais cedo ela for utilizada, melhor tende a ser sua efetividade.
- As principais opções são a contracepção oral de emergência e o DIU de cobre.
- Ela não é abortiva e não interrompe uma gravidez estabelecida.
- Não protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
- Uma nova relação sem proteção pode representar um novo risco.
- Uso frequente não causa infertilidade, mas pode indicar a necessidade de rever o método habitual.
- Dor intensa, desmaio ou sangramento volumoso exigem avaliação médica.
Fontes consultadas
- Contracepção de emergência — Organização Mundial da Saúde
- Recomendações selecionadas para o uso de contraceptivos, quarta edição (2025) — Organização Mundial da Saúde
- DIU de cobre — Ministério da Saúde
- Contracepção — Ministério da Saúde
- Emergency Contraception, recomendações clínicas de 2024 — CDC
Fontes acessadas e conteúdo revisado em 12 de agosto de 2026.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Em situações urgentes, procure um serviço de saúde.
