A vacinação contra o HPV é uma das principais medidas para prevenir infecções persistentes e doenças associadas ao papilomavírus humano. Apesar disso, ainda existem dúvidas sobre idade, número de doses e necessidade de vacinação após o início da vida sexual.
O que é o HPV?
HPV é a sigla para papilomavírus humano. Existem diversos tipos desse vírus. Alguns estão relacionados principalmente a verrugas anogenitais, enquanto outros podem causar alterações celulares que, quando persistentes, aumentam o risco de câncer do colo do útero e de outros tumores.
A maioria das infecções é controlada espontaneamente pelo organismo. O problema ocorre quando determinados tipos de HPV permanecem por longos períodos e provocam lesões precursoras.
Ter contato com o HPV não significa que a pessoa desenvolverá câncer. Ainda assim, vacinação e rastreamento adequado são medidas importantes de prevenção.
Para que serve a vacina?
A vacina prepara o sistema imunológico para reconhecer tipos específicos de HPV antes que eles provoquem uma infecção persistente.
A vacina quadrivalente oferecida pelo SUS protege contra os tipos 6 e 11, frequentemente associados a verrugas anogenitais, e contra os tipos 16 e 18, relacionados a grande parte dos cânceres causados pelo HPV.
Ela é uma vacina preventiva. Isso significa que não elimina uma infecção já existente e não trata verrugas ou lesões do colo do útero. Mesmo quem já teve contato com um tipo de HPV pode, dependendo da idade e da indicação, obter proteção contra outros tipos incluídos na vacina.
Quem pode receber a vacina pelo SUS em 2026?
Em 2026, o Calendário Nacional de Vacinação mantém a dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde também prorrogou até 31 de dezembro de 2026 a estratégia de resgate para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados.
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos não vacinados: uma dose da vacina HPV4.
- Adolescentes e jovens de 15 a 19 anos sem histórico de vacinação: uma dose pela estratégia de resgate, disponível até 31 de dezembro de 2026.
- Pessoas pertencentes a grupos especiais: podem ter indicação até os 45 anos, conforme critérios do Programa Nacional de Imunizações e esquemas específicos.
Por que a vacinação é recomendada tão cedo?
A vacina produz melhor resposta imunológica quando administrada nas faixas etárias recomendadas e, idealmente, antes do contato com o vírus.
Isso não significa que conversar sobre vacinação antecipe ou estimule o início da vida sexual. A vacinação na infância e adolescência é uma estratégia preventiva, assim como outras vacinas oferecidas antes do período de maior exposição a determinada infecção.
A recomendação contempla meninas e meninos porque o HPV pode afetar pessoas de diferentes sexos e está relacionado não apenas ao câncer do colo do útero, mas também a verrugas e tumores em outras regiões.
Quem já iniciou a vida sexual ainda pode se vacinar?
O início da vida sexual não impede automaticamente a vacinação. A vacina, porém, não trata infecções já adquiridas.
Para pessoas dentro das faixas contempladas pelo SUS, deve-se verificar o histórico vacinal e os critérios atuais. Fora dessas faixas, a indicação pode ser discutida individualmente, considerando idade, condições de saúde, vacinação anterior e opções disponíveis na rede privada.
Não é necessário realizar um teste de HPV apenas para decidir se uma adolescente dentro da faixa recomendada pode receber a vacina.
Uma dose é realmente suficiente?
O Brasil adota uma dose para a vacinação de rotina entre 9 e 14 anos e para a estratégia de resgate dos jovens de 15 a 19 anos ainda não vacinados.
Essa regra não deve ser aplicada automaticamente a todas as pessoas. Pacientes imunossuprimidos e outros grupos especiais podem precisar de esquemas com mais doses. Quem iniciou um esquema anterior ou não sabe quantas doses recebeu deve levar a caderneta de vacinação a uma unidade de saúde.
A vacina substitui o exame preventivo?
Não. A vacinação reduz o risco de infecção pelos tipos de HPV incluídos na vacina, mas não protege contra todos os tipos oncogênicos.
Pessoas com colo do útero devem continuar seguindo as recomendações de rastreamento correspondentes à idade e ao histórico clínico. O Brasil está implantando progressivamente o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento, enquanto o Papanicolau permanece disponível onde o novo teste ainda não foi implementado.
Vacinação e rastreamento atuam de formas complementares: a vacina ajuda a evitar determinadas infecções; o rastreamento identifica alterações que já possam estar presentes.
O preservativo ainda é necessário?
Sim. Preservativos internos e externos reduzem a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, além de contribuírem para a prevenção de uma gravidez não planejada.
No caso do HPV, a proteção não é completa porque o vírus pode estar presente em regiões da pele que não são cobertas pelo preservativo. Por isso, vacinação, preservativo e rastreamento não devem ser vistos como medidas concorrentes.
A vacina pode ser tomada durante a gravidez?
O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 orienta que a vacina contra o HPV não seja administrada durante a gestação. Mulheres que estão amamentando podem ser vacinadas.
Se a vacina for aplicada antes de a pessoa saber que estava grávida, isso não significa que ocorrerá algum problema ou que seja necessária uma intervenção. A situação deve ser comunicada ao profissional responsável pelo acompanhamento para orientação adequada.
Onde receber a vacina?
A vacinação está disponível nas Unidades Básicas de Saúde e em outros pontos definidos pelas campanhas locais. O histórico também pode ser consultado no aplicativo Meu SUS Digital, embora registros antigos possam não estar disponíveis eletronicamente.
- Documento de identificação.
- Caderneta ou comprovante de vacinação.
- Documentos médicos quando houver condição clínica especial.
- Comprovação de uso de PrEP, quando aplicável.
Informação ajuda a recuperar oportunidades de prevenção
Muitos adolescentes não receberam a vacina na idade recomendada por falta de informação, receio ou dificuldade de acesso. A estratégia de resgate vigente até 31 de dezembro de 2026 representa uma nova oportunidade para jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados.
Para quem tem dúvidas sobre doses anteriores, condições especiais ou vacinação na vida adulta, a orientação deve ser individualizada por um profissional de saúde ou pela equipe da sala de vacinação.
Fontes consultadas
- Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Ministério da Saúde
- Resgate da vacinação de jovens de 15 a 19 anos — Ministério da Saúde
- Perguntas frequentes sobre HPV — INCA
- Cervical cancer — Organização Mundial da Saúde
Fontes acessadas e conteúdo revisado em 29 de julho de 2026.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta médica, avaliação individual ou orientação da equipe de vacinação. Esquemas e critérios podem variar conforme idade, histórico vacinal e condições clínicas.
